
Com sua calça Valentino de cintura alta azul quase bebê, seu cabelo imóvel e escovado como de costume e o corpo admirável de menina mesmo aos 82 anos de idade, ela desceu do pedestal pela primeira vez com o sorriso contagiante de sempre. No início eu olhei desconfiada e pensei: “ela está chegando, ou indo embora”. Mas não, ela continuou caminhando por entre as pessoas, acenando, sorrindo, conversando com um, com outro, como nunca havia visto antes. Sua guarda-costas estava lá, claro, acompanhando-a, como de costume, para ajudá-la em algum perigo, tropeção ou assédio dos tietes.
Eu frequento um grande e conhecido centro espírita próximo a minha casa desde que eu era adolescente. É um lugar onde me sinto leve e consigo colocar meus pensamentos em ordem. O centro cresceu muito e com isso o acesso à presidente ficou praticamente impossível, a não ser que você esperneie para agendar um horário para daqui a um ano com ela. E olhe lá, antes vão pedir pra você passar na triagem, fazer tratamento disso, daquilo... até você desistir e ir para um centro menor, ou simplesmente, voltar para sua religião de origem.
Sempre me incomodei com a idealização que o povo faz da líder e presidente do centro. Sem dúvida, uma pessoa iluminada, com dons especiais e realizadora de um trabalho social nobilíssimo e digno de muito respeito e admiração. Por outro lado, quando ela chega, as pessoas aplaudem em pé, como se estivessem diante de uma celebridade, ou pior ainda, um ser santificado. Talvez como uma forma de protesto, eu sempre permaneci imóvel nesses momentos, concentrada em minhas orações, como se nada estivesse acontecendo.
Ontem, cheguei ao centro e como de costume me sentei para ouvir e cantar as músicas. De repente, me espanto ao vê-la perambulando no meio do “seu povo”, como ela mesma se refere aos frequentadores. Parava em alguns e falava algo no ouvido. Parecia ser coisa boa porque o ouvinte abria um grande sorriso. Pensei: será que é promessa de ano novo? “Em 2010, vou sair da minha salinha e conhecer realmente as pessoas que frequentam o meu centro. Vou colocar em prática tudo o que falo”.
Coitada, não acho que ela seja culpada dessa veneração toda. Os frequentadores sim! Esses são os culpados. Da mesma forma que veneram artistas da novela, cantores e até ex BBBs, eles colocaram D. Guiomar em um lugar alto, mas tão alto, que ela mesma não sabia mais como descer. Esse ano, acho que ela encontrou a fórmula para ficar mais próxima do chão, de mostrar que é tão humana quanto nós, apesar da mediunidade altamente desenvolvida, do corpo escultural aos 82 e da calça Valentino.
Eu frequento um grande e conhecido centro espírita próximo a minha casa desde que eu era adolescente. É um lugar onde me sinto leve e consigo colocar meus pensamentos em ordem. O centro cresceu muito e com isso o acesso à presidente ficou praticamente impossível, a não ser que você esperneie para agendar um horário para daqui a um ano com ela. E olhe lá, antes vão pedir pra você passar na triagem, fazer tratamento disso, daquilo... até você desistir e ir para um centro menor, ou simplesmente, voltar para sua religião de origem.
Sempre me incomodei com a idealização que o povo faz da líder e presidente do centro. Sem dúvida, uma pessoa iluminada, com dons especiais e realizadora de um trabalho social nobilíssimo e digno de muito respeito e admiração. Por outro lado, quando ela chega, as pessoas aplaudem em pé, como se estivessem diante de uma celebridade, ou pior ainda, um ser santificado. Talvez como uma forma de protesto, eu sempre permaneci imóvel nesses momentos, concentrada em minhas orações, como se nada estivesse acontecendo.
Ontem, cheguei ao centro e como de costume me sentei para ouvir e cantar as músicas. De repente, me espanto ao vê-la perambulando no meio do “seu povo”, como ela mesma se refere aos frequentadores. Parava em alguns e falava algo no ouvido. Parecia ser coisa boa porque o ouvinte abria um grande sorriso. Pensei: será que é promessa de ano novo? “Em 2010, vou sair da minha salinha e conhecer realmente as pessoas que frequentam o meu centro. Vou colocar em prática tudo o que falo”.
Coitada, não acho que ela seja culpada dessa veneração toda. Os frequentadores sim! Esses são os culpados. Da mesma forma que veneram artistas da novela, cantores e até ex BBBs, eles colocaram D. Guiomar em um lugar alto, mas tão alto, que ela mesma não sabia mais como descer. Esse ano, acho que ela encontrou a fórmula para ficar mais próxima do chão, de mostrar que é tão humana quanto nós, apesar da mediunidade altamente desenvolvida, do corpo escultural aos 82 e da calça Valentino.
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