domingo, 23 de novembro de 2008

Sobre a perda

Termino de ler o livro O Ano do Pensamento Mágico, de Jean Didion. Hoje também li uma entrevista da Paula Lavigne pra revista da Joyce Pascowitch. Algo em comum. Ambas relatam a Perda. A Perda de alguém que se ama e o nosso posicionamento em relação a ela. À morte. Toda perda de certa forma é uma morte. Não é preciso o coração de quem amamos parar de bater.

A Jean perdeu o marido, depois de 40 anos de convivência, em um dia comum, como todos. A Paula perdeu o Caetano para a vida. A Jean nunca mais vai ver o John (pelo menos não da forma que o conheceu). A Paula vai continuar convivendo com o Caetano, sem poder usufruir sua companhia. Sim, duas perdas. Duas mortes. Em um caso com os procedimentos de praxe que seguem a morte: velório, enterro, família reunida. No outro, não. Apenas uma pessoa de luto. Por alguém que vive.

Aí pensei. Seria bom se fosse como nos jogos. Quando alguém perde, alguém ganha. Ou no máximo empata. Sem grandes traumas.

Nesses dois casos não houve vencedor. Nem empatou.

domingo, 12 de outubro de 2008

A questão do diploma

A obrigatoriedade do diploma de jornalismo continua pautando os veículos voltados aos profissionais de comunicação. Nenhuma novidade, a mesmice de sempre. Toda vez que eu me deparo com uma notícia sobre a questão me coço para dizer o que eu penso sobre essa discussão. Dá vontade de gritar: vamos parar de discutir baboseiras e seguir direto ao que interessa. Tenho apenas três pontos.

- A informação não é propriedade de um indivíduo. Um diploma não compra uma informação. Em tempos de web 2.0 qualquer indivíduo pode ser o dono da notícia. Ele pode atuar tanto comunicador quando como produtor de um fato de interesse público. Chega. Não podemos ser ingênuos ao ponto de pensar que o dono da informação continua sendo o jornalista. Já foi, não é mais.

- Se o diploma de jornalista não fosse obrigatório, as faculdades de comunicação teriam que vender melhor o seu peixe para conquistar seus clientes. Isso implica em melhorar a qualidade do produto oferecido. Fim das aulinhas de técnicas de redação e mais discussão analítica sobre o engajamento das audiências nos veículos de comunicação? Sim, elas precisam inovar e criar um currículo rico. Chega de aulas medíocres, com professores mal preparados, acomodados e diplomados. Vamos colocar gente de "conteúdo" na liderança desses focas.

- A discussão da obrigatoriedade do diploma tem pouquíssima utilidade na prática. A grande mídia continuará contratando gente de qualidade, formada ou não. Os aproveitadores da não obrigatoriedade do diploma continuarão em seus jornaizinhos marketeiros e, claro, sem a mínima credibilidade. Jornalismo é sensibilidade, clareza e uma certa arte de seduzir e de apresentar várias visões sobre um determinado fato. "Técnicas" que nenhuma faculdade aprendeu a ensinar até agora.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Malandragem de primeira

Escuta essa. Sexta-feira passada eu estava voltando do trabalho e resolvi cortar caminho pela rua dos Trilhos, que estava aparentemente mais livre que a querida Radial Leste. Engatei primeira, segunda, terceira, quarta e.... o transito parou, para a minha "surpresa". Demorei quase 20 minutos para rodar menos de 500 metros. Mas o que está acontecendo?

Abre farol, fecha sinal. E nada de andar. Tudo bem que estou na rua da universidade são judas às 8 da noite numa sexta-feira. Aqueles bares lotados, estudantes nas calçadas bebendo, rindo, sem pressa para atravessar a rua. Cenário bem familiar para mim há cinco anos. Abre sinal, fecha farol. Buzinei. Louca pra chegar em casa, tomar um banho e relaxar. E nada do trânsito andar.

Uma música alta que não vem dos barezinhos da rua me chama a atenção. Um montinho de gente ocupando uma faixa da rua. Será que é briga? Cheguei mais perto. E claro, só podia ser isso. Candidato fazendo comíssio. Sim, ocupando a rua Taquari e tumultuando o transito. Pensei: "Vou anotar esse número para não votar". Abri o vidro e vi: 14800. Opa, esse cara não vai ter o meu voto.

Passou. Contei o episódio para o meu pai no mesmo dia. E pedi para ele não votar nesse tal de 14800. E prometi que ia escrever um email pro Heródoto contando tudo. Não deu tempo.

Esta semana peguei os últimos minutos do horário eleitoral enquanto esperava para começar a favorita. Tomas, o Tomate. Vote em mim. Cabra Bom, Vote em mim. Aquela palhaçada que dispensa comentários. De repente, para a minha surpresa e indignação aparece o candidato 14800. Não, eu não posso acreditar. Claro, só podia ser ele fazendo aquela bagunça na rua, atrapalhando o transito, tumultuando. O candidado 14800 é o Sergio Mallandro.

Agora me diga: como um ser que deseja fazer algo pela cidade começa a fazer errado em plena campanha? Que substima a inteligencia do povo? Fez filme com a Xuxa, abriu a porta dos desesperados, pegou as malandrinhas e agora resolveu ser vereador. "Ah, deu tudo errado. Vou tentar ganhar dinheiro de outra forma." É inacreditável a cara de pau do indivíduo. Mallandro com dois eles.