domingo, 23 de novembro de 2008

Sobre a perda

Termino de ler o livro O Ano do Pensamento Mágico, de Jean Didion. Hoje também li uma entrevista da Paula Lavigne pra revista da Joyce Pascowitch. Algo em comum. Ambas relatam a Perda. A Perda de alguém que se ama e o nosso posicionamento em relação a ela. À morte. Toda perda de certa forma é uma morte. Não é preciso o coração de quem amamos parar de bater.

A Jean perdeu o marido, depois de 40 anos de convivência, em um dia comum, como todos. A Paula perdeu o Caetano para a vida. A Jean nunca mais vai ver o John (pelo menos não da forma que o conheceu). A Paula vai continuar convivendo com o Caetano, sem poder usufruir sua companhia. Sim, duas perdas. Duas mortes. Em um caso com os procedimentos de praxe que seguem a morte: velório, enterro, família reunida. No outro, não. Apenas uma pessoa de luto. Por alguém que vive.

Aí pensei. Seria bom se fosse como nos jogos. Quando alguém perde, alguém ganha. Ou no máximo empata. Sem grandes traumas.

Nesses dois casos não houve vencedor. Nem empatou.

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