
Enchi uma grande amiga de porques hoje, quando fui conhecer seu segundo filhinho lindo de cinco meses. A Aninha resolveu ter o LA em um hospital público e por parto normal. Não foi uma decisão, mas uma convicção. Não combinaria com uma mulher que está prestes a se tornar mestre em ciências sociais - e que tem como projeto de pesquisa as mulheres negras encarceiradas de SP – ter seu segundo filho “num shopping center”, como ela mesmo se referiu às maternidades de classe média alta.
A Aninha disse que foi a melhor experiência da sua vida. Ela contou com detalhes. Dores, sentimentos, enfermeiros, pensamentos. Entre os porques, perguntei se tinham outras mulheres parindo junto com ela. “Não, mas poderiam ter”. Ela lembrou de uma mulher negra, gorda e alta que estava com o filho recém-nascido entre as pernas. Tinha acabado de nascer. A enfermeira pediu pra ela sentar e, com toda a pose, ela se põs de pé numa questão de segundos. A enfermeira: “Não, só pedi pra você sentar”.
A mulher negra deve estar acostumada a levantar rápido depois dos tropeços e tombos da vida. Como a Aninha, que demostrou coragem e sensatez ao escolher dar continuidade a sua profissão de mãe de uma forma mais natural. Afinal, existe algo mais natural e antigo no mundo dos homens do que dar à luz? Por que complicar?
2 comentários:
Fico lisonjeada por ser “uma grande amiga” dessa brilhante jornalista. É outra emoção estar nas suas palavras e saber que, de certa forma, respondi a alguns dos seus por quês. Aguardo outras tantas tardes para questionarmos a maturidade dos nossos 20 e tantos, da infância, academia, vida, enfim, experiências...C/carinho
Grande amiga Aníssima! Sim, grande amiga. Sua história tá gerando polêmica, acho que vale um livro, hein?
Obrigada por estar aqui.
beijos
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