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domingo, 12 de outubro de 2008

A questão do diploma

A obrigatoriedade do diploma de jornalismo continua pautando os veículos voltados aos profissionais de comunicação. Nenhuma novidade, a mesmice de sempre. Toda vez que eu me deparo com uma notícia sobre a questão me coço para dizer o que eu penso sobre essa discussão. Dá vontade de gritar: vamos parar de discutir baboseiras e seguir direto ao que interessa. Tenho apenas três pontos.

- A informação não é propriedade de um indivíduo. Um diploma não compra uma informação. Em tempos de web 2.0 qualquer indivíduo pode ser o dono da notícia. Ele pode atuar tanto comunicador quando como produtor de um fato de interesse público. Chega. Não podemos ser ingênuos ao ponto de pensar que o dono da informação continua sendo o jornalista. Já foi, não é mais.

- Se o diploma de jornalista não fosse obrigatório, as faculdades de comunicação teriam que vender melhor o seu peixe para conquistar seus clientes. Isso implica em melhorar a qualidade do produto oferecido. Fim das aulinhas de técnicas de redação e mais discussão analítica sobre o engajamento das audiências nos veículos de comunicação? Sim, elas precisam inovar e criar um currículo rico. Chega de aulas medíocres, com professores mal preparados, acomodados e diplomados. Vamos colocar gente de "conteúdo" na liderança desses focas.

- A discussão da obrigatoriedade do diploma tem pouquíssima utilidade na prática. A grande mídia continuará contratando gente de qualidade, formada ou não. Os aproveitadores da não obrigatoriedade do diploma continuarão em seus jornaizinhos marketeiros e, claro, sem a mínima credibilidade. Jornalismo é sensibilidade, clareza e uma certa arte de seduzir e de apresentar várias visões sobre um determinado fato. "Técnicas" que nenhuma faculdade aprendeu a ensinar até agora.